terça-feira, 29 de setembro de 2009

The Word is Work!!

ilustra: Normam Rockwell

- Nova York tem cheiro de que? Perguntou uma amiga outro dia. Ao que respondi imediatamente: NY tem cheiro de Comida! Por todos os lados! Em qualquer lugar (no banheiro público, acreditem!) o cheiro de alguma comida está no ar: cheiros indecifráveis (origens multiculturais), correm o risco de ser traduzidos como “estou com fome”. sempre. “Não, você não está! Sua mente mente!! Mente mente!” e você acha que vai enlouquecer, não por estar falando sozinha como um LP furado, mas por achar que é natal em pleno Setembro e que pode empurrar tudo pra dentro. A mentirosa diz: “Você merece querida... afinal, vocês está aqui, longe de tudo e...”. Shut up!
Sei que vou me acostumar, e a comida não será mais comida. Mente mente e comida não será comida ;b (não! Nem ingerida! Não voltarei para o Brasil rolando, i promise!).
Vamos esquecer essa história de comida... Elizabeth Gilbert, escritora novayorquina, lança uma proposta, se não mais interessante, pelo menos mais magra e econômica. No livro “Comer, rezar e amar”* (sugestivo, não?) ela fala de um amigo Italiano que dizia que o segredo para entender uma cidade e seus habitantes é aprender qual a “palavra da rua”, dizia que toda cidade tem uma palavra que a define, que identifica a maioria das pessoas que moram ali. Pensando nessa proposta do “Giulio”, apesar da mente, a palavra de NY definitivamente não é “Comida”. Qual a palavra de Nova York? Para Elizabeth é “CONQUISTAR”. Tem sentido... Gente do Mundo inteiro vem pra cá e afirma que NY é o lugar das oportunidades. Para mim, esse verbo aqui se expressa na frase que ouvi hoje de uma judia na sala de aula: “come on teacher! Time is Money!”. Para mim a palavra que define NY e seus habitantes é “TRABALHO”. Todos estão ocupados e correndo muito! Mais do que se corre em São Paulo ou em outras capitais por onde andei.
Chego ao ponto de ônibus às 8am, pego o 156R (o “R” é de “River” – passa pelas margens do Hudson), procuro acento bem longe de um indiano se possível (não me interpretem mal, mas ou comida indiana pela manhã cheira mal, ou o cara que sentou ao meu lado outro dia comeu Cury vencido ;b), enfim, procuro sentar ao lado de um rapaz bonito, cheiroso e dorminhoco, e se não fico lendo ao lado do moço, aproveito para dormir together rs, enquanto 99% dos passageiros está com um blackbery na mão respondendo e-mails. O ônibus chega ao terminal, todos levamtam-se apressadamente e a maratona começa: arrancam do ônibus desesperadamente, parecem todos atrasadíssimos, “sai da frente! Sai logo (3x)” parece o LP furado de todas as mentes, apesar de só verbalizarem um speed “excuse me”, as escadas são estreitas e todos se espremem como um grande rebanho em pequenas porteiras. Descem a escada rolante correndo... e eu me pergunto “por quê não acordam mais cedo”? E todos os dias é a mesma coisa... Os sinais para pedestres em Manhatan pouco são levados a sério, é uma travessia frenética na disputa com carros e ambulâncias. Penso: “será problema cardíaco?”, as sirenes de ambulâncias são constantes, com o buzinaço e o burburim dos propagandistas e urbanóides parece uma grande sinfonia de John Cage (às vezes tão inusitada quanto) ou o corredor de um hospício cujos medicamentos acabaram ou não fazem mais o mínimo efeito. De alguma forma, todos estão muitíssimo ocupados... e você de férias :)

“Ei! Quem disse que você está de férias?”- a mente tagarela de novo. Não! Não estou de férias! Mas é estranho não estar preocupada com o trabalho. Voltei a ser estudante! E quando criança eu reclamava tanto dessa vida... Hoje relaxo e digo “i’m student” rsrs
Ok.. estudantes não estão de férias, mas vai por mim, é bem melhor do que trabalhar rs. O problema é que o dinheiro acaba e estudantes adultos pagam a própria escola. Então... a Anita Cohen me desperta pela manhã: “HelOoo! Time is money!”. E acordo de acordo: NY is WORK!


* "Comer, rezar e amar" foi o livro que a Aline me deu de presente de despedida. Na contra-capa, a seguinte dedicatória: “Para Claudinha, o meu livro mais vivido, grisalho, surrado e experiente” – não é exagero! Parece que o coitado passou por uma máquina de lavar e secou no olho de um furacão. E ela continua: “Ele (o livro) ir para ti agora faz o seguinte sentido: algo já viajado, porém com muito potencial cone lato, nas mãos de quem, mais uma vez, resolveu viajar”. Não me pergunte o que é “cone lato”, i don’t know! Mas sem dúvida, o livro é uma belezura! Ele tem cara de “literatura de aeroporto”... que seja, mas amei ele ter vindo parar nas minhas mãos! E como traduzo “cone lato”? simplesmente como: “solte o verbo!”. Obrigada, Aline!

13 comentários:

Rose disse...

eu né? Fui eu quem perguntou ou perguntei...

Continua escrevendo senão ....Vou perder uma narrativa que está interessantíssima.

Vai ,continua tá?

Rose disse...

Vá escrevendo...não para pls
bye

Ana Luz disse...

Sim Rose, foi você! rsrs
Vou continuar, não sei quando, mas vou :) Beijo!

romysato disse...

dormir "together" ou dormir "along"...explica isso direito! rs

Ana Luz disse...

i don't know Romy. what are you talking about? rsrs

Anônimo disse...

Sentir a falta de algém é a pior coisa que pode acontecer a um ser humano. Saber que aquela pessoa marcou a sua vida, e agora tomou outro rumo é algo que dói. Meu velho pai sempre disse que a amizade é uma trilha, que se não andarmos por ela o mato logo a cobre. Por isso te escrevo com saudades de amigo, para que assim eu possa aparar o mato e não deixar que a nossa amizade se apague no tempo.

Te curto muito, Dinha!
Bjos!
Maycon Nunes

sblanco disse...

Olha, pelo que estou lendo essa escola está dando certo, daqui à pouco eu não conseguirei ler mais o blog pois estará todo inglês e também tenho a mesma doença que tinhas, é isso mesmo, já está no passado não saber inglês, isso no teu caso.
Eu por enquanto ainda consigo fugir da necessidade do inglês, dessa vez corri para o italiano.
(Essa história só explicarei quando tiver os resultado, daqui para dezembro, aguarde um pouco ok?)
Grande abraço: Sonia Blanco

Ana Luz disse...

MAYCON - Que linda declaração meu querido amigo. Seu pai deve ser um sábio e agora sei de quem herdaste os "dizeres" que Renata é fã. E pode ficar tranquilo que esse mato não vai crescer nunca! Essa trilha já foi lapidada e agora só crescem flores ao redor :)
Abraço grande e tb sinto saudades!
;*

SONINHA - Eu quero sabeeer!! Itália?? Se for, vou te visitar lá :)
Beijos mil!

Marcelo Novaes disse...

Bom presente.




Ensina a bela perspectiva da oração no cotidiano.





Beijos,








Marcelo.

Ana Luz disse...

Obrigada Marcelo!
Para mim oração é sinônimo de comunhão. impossível viver sem.
Feliz em lhe ver por aqui.
Beijos.

Anônimo disse...

dinha linda... és chiq demais, isso é verdade!!
Bju!!!!

Sylmara disse...

fui eu q escrevi aqui em cima :)

Claudia Pires disse...

Dinha, muito legal teus textos, como sempre, saudades dos nossos paaapoooss!! E doida pra saber mais de NY... deixa eu ver, uma palavra pra Berlin... tem que ser cigarro! Mas daí é pra toda Europa, nao pode ser exclusiva de Berlin... e esse livro é mesmo livro de aeroporto, eu sempre vejo nos aeroportos quando to de passagem...